Untraceable (Indetectável)
Realização: Gregory Hoblit
Género: Thriller
Intérpretes: Diane Lane, Billy Burke
Estreia em Portugal: 23 Outubro 2008
Trailers:
|
AppleTrailers
A historia circula à volta de um serial killer que rapta e expõe as suas vitimas na internet através de uma webcam, sujeitando-as a armadilhas mortiferas, as quais causam mais e mais ferimentos consoante a quantidade aumenta de visitas no seu site. Uma especialista do FBI (Diane Lane) e a sua equipa fica encumbida de encontrar o responsável por esse website "KillWithMe.com" enquanto o assassino se aproxima cada vez mais da sua familia.
Ora bem... tirando algumas excepções aqui e ali, começa a tornar-se dificil ver um filme dentro deste género em que não se fica com a estranha sensação de que ja vimos esta historia e seus derivados em centenas de outros filmes. Talvez por isso, exclamar: "porquê, oh porquê! estes tipos não saem sempre do mesmo tipo de coisa?" se torne cada vez mais comum.
Infelizmente originalidade em thrillers, alias no cinema em geral, tem caído a pique, e por isso todos os anos se vê sequelas atrás de sequelas do tipo "O Regresso do Canguru Assassino 7: O Enigma da Bolsa Marsupial Endiabrada" até esgotar a historia aos limites do absurdo, e quando isso acontece inventam-se prequelas. Isto para ja não falar em remakes... mas nem quero pegar por aí.
Quanto a este filme, também não é assim tão mau de todo. Achei peculiar (para o que é costume em hollywood) a escolha do papel principal ter recaido sobre uma actriz mais experiente como Diane Lane e não uma qualquer jovem nos seus 20 e poucos anos, que certamente iria despertar mais curiosidade por parte de uma fatia do mercado. No entanto esta escolha foi o que talvez tenha salvo o filme. Revelou-se acertada pois o talento dela foi o que segurou um filme completamente mediano pelas pontas e impediu de cair na total banalidade. Também não fez um desempenho digno de um oscar mas esteve competente, e mostrou alguma alma entre todas as restantes interpretações ocas.
Quanto ao resto, cinéfilos que ja tenham visto Se7en, Saw e Red Dragon, imaginem uma versão drasticamente inferior com varios elementos dos 3 e com a modernice das "internetes" e têm um resumo digno dos apontamentos Europa America.
Em resumo, têm havido bastantes filmes de serial killers nos ultimos 10/15 anos, e para além do uso da internet como uma arma, Untraceable não tem realmente nada de novo a oferecer para além daquilo que já se tenha visto antes. Conselho ? Poupem o €€ do bilhete e vão ao videoclube mais proximo buscar um dos 3 que mencionei que ficam melhor servidos.
Classificação: 4/10
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Estreias da Semana: Untraceable
Publicada por Alexius à(s) 01:08 0 comentários
Etiquetas: Cine-Analise 2008, Cinema
quinta-feira, 24 de julho de 2008
O Cavaleiro das Trevas - A análise
The Dark Knight (O Cavaleiro das Trevas)Realização: Christopher Nolan
Género: Acção
Intérpretes: Christian Bale, Michael Cane, Heath Ledger, Maggie Gyllenhaal, Gary Oldman, Morgan Freeman, Aaron Eckhart
Estreia em Portugal: 24 de Julho de 2008
Normalmente não faço questão de fazer analises a filmes que estão na berra, porque evidentemente toda a gente os vê, e não preciso de os publicitar. No entanto decidi abrir esta excepção.
Vou desde já, pôr os pontos nos iis; DETESTO filmes de super-heróis. São demasiado virados para um público mais jovem, ocos, apoiam-se em demasia no espalhafato e nos milhões de seguidores do formato BD. Para além disso, acho ridiculas as máscaras, as capas e os fatos de borracha justos ao corpo, mas isso talvez já seja implicação minha, não sei.
Depois de ver tanto hype à volta deste filme, que já o levou ao 1º lugar no iMDB, decidi vê-lo e saber afinal qual era o motivo para tanto alarido.
Os primeiros sinais de que estamos a ver um filme realmente bom, são quando nos prende toda a atenção e nos põe um sorriso nos lábios logo desde o seu inicio. Neste caso pode ser um sorriso negro, mas não obstante, uma reacção genuína de que nos está a dar gozo ver o filme.
Christopher Nolan, já tinha demonstrado talento em excelentes filmes como Memento, Insomnia (Insónia) ou The Prestige (O Terceiro Passo), mas mostra neste Dark Knight uma capacidade enorme de pegar em algo fantasioso e construir uma historia adulta, credível, sólida e séria, que mais parece um policial de acção do que um filme de super-herois.
E como o conseguiu? Baseou o filme num excelente argumento escrito pelo próprio e pelo irmão Jonathan Nolan, e desviou o mais possível do heroi principal.
Em vez de um filme em que todas as personagens secundárias girassem à volta do titular (neste caso Batman), Nolan e companhia foram suficientemente cuidadosos a ponto de se certificarem que todos os (excelentes) actores envolvidos no filme tivessem o seu momento alto. Com isto, Batman não está tanto no centro da acção o quanto seja possivel, e partilha tanto tempo de antena como o Tenente Gordon (Gary Oldman, que muito me agrada voltar a vê-lo em forma porque sou fã dele), como com Harvey Dent (Aaron Eckhart). É algo que prejudica o filme? Nem por sombras. E felizmente todos eles corresponderam, sobretudo Aaron Eckhart que me surpreendeu pela positiva, já que ainda não o tinha visto fazer qualquer interpretação digna de registo, mas esteve excelente até porque o papel que interpretava não era fácil, sobretudo lá mais para o final.
Guardei o melhor para o fim, porque ha muito tempo que não tinha tanto gozo ver um vilão deste calibre. Quem me conhece, ou tem seguido as minhas analises, sabe que aprecio um bom vilão. Para mim um bom mau da fita representa no minimo 60% da qualidade de um filme. E quando aparece um completamente excepcional, é capaz de levar o filme às costas, qualquer que seja o argumento.
Sente-se quando um actor está à vontade e se diverte com o papel que interpreta. No caso de Heath Ledger, não só se diverte como se sente que nasceu para este papel, e dá gosto ver interpretações destas. Não me divertia tanto com um vilão desde talvez o Agent Smith no primeiro Matrix.
Lado negativo:
Não tenho muito a apontar, porque o filme no seu todo está excelentemente construído. Se tivesse que lhe apontar alguma coisa, talvez seja a musica-tema do Joker que por vezes é irritante por mais parecer uma sirene dos bombeiros. Também me pareceu que a interpretação de Christian Bale já viu melhores dias, e talvez duas horas e meia tenha sido um pouquinho a mais para o filme, mas com um intervalo pelo meio quase não se nota.
Conclusão:
Dark Knight não é um filme perfeito. Mas também é raro o filme que se aproxima de o ser. No entanto, visto como um todo, tem imensa qualidade, e muito para ver. O meu conselho? Vejam o filme. Asseguro-vos que vão passar um bom bocado. Não esperem um filme de super-herois, mas sim um policial adulto, que apenas por coincidência envolve um tipo vestido de morcego.
Classificação: 9/10
Publicada por Alexius à(s) 05:43 0 comentários
Etiquetas: Cine-Analise 2008, Cinema
terça-feira, 17 de junho de 2008
Houdini: O Último Grande Mágico - A Análise
Death Defying Acts (Houdini: O Último Grande Mágico)
Realização: Gillian Armstrong
Género: Drama / Romance
Intérpretes: Guy Pearce, Catherine Zeta-Jones, Saoirse Ronan
Estreia em Portugal: 26 de Junho de 2008
País de Origem: Reino Unido
"When i was very small, i had a gift. I saw things other folk didn't see. As i grew up, the gift vanished just like my mom said it would, and i saw the world as it really was... but then... the great Houdini came into our lives, and changed everything forever."
...e no entanto não é o que acontece com este filme. Como sei que os meus amigos na Irlanda me dariam cabo do canastro se não fizesse uma analise a este filme, cá vai disto;
O que me levou a ver este Death Defying Acts, é que seria uma historia com Harry Houdini, provavelmente o ilusionista e mestre de fugas mais conhecido de todos os tempos. Também porque gostei bastante do Prestige (O Terçeiro Passo) e do Illusionist (O Ilusionista), e talvez contasse com algo no género, senão melhor. Enganei-me. O que infelizmente encontrei não foi mais que uma historiazeca em que se trocariam facilmente os personagens principais pelo Florivaldo e a Constança da novela brasileira mais à mão.
Catherine Zeta-Jones encarna Mary McGarvie, uma personagem ficticia convenientemente atirada para a vida de Harry Houdini de maneira a fazer dali uma historia para contar. Esta Mary, juntamente com a sua filha Benji, têm um espectáculo psiquico em Edimburgo com
bastante aceitação do público, que no entanto recorre a metodos menos próprios para conseguir as "adivinhações" com que consegue público no seu espectaculo.E então entra o mágico. Corre palavra que Harry Houdini lançou um desafio a todos os adivinhos que encontre, que oferecerá 10.000 dolares a quem conseguir comunicar com a sua mãe falecida e lhe disser quais foram as suas ultimas palavras. O seu objectivo aparentemente seria o de desmascarar todos os charlatães que encontrasse, até que... encontrou Mary e tudo isso tornou-se irrelevante.
Entramos então num romance entre as duas personagens, com os motivos porque Houdini acha Mary atraente um pouco questionáveis e com uma pontuação bastante alta no meu esquisitómetro... mas adiante.
Contrariamente ao titulo do filme (em ingles), não ha realmente nada de desafiador da morte no filme, isto porque mantem-se numa zona neutra de interacção de personagens que não é nada de especial, e não se mete no mundo das ilusões, mostrando apenas um ou dois momentos durante algum espectáculo, que não chega nem para palitar o dente.
O que temos realmente é um olhar da vida pessoal de Houdini, com um Guy Pearce a fazer o que pode para mostrar algum carisma e demónios pessoais com que se debate, mas apesar do esforço, o filme não ajuda, e no final fica-se com a sensação que o homem fez um papel inexpressivo. O mesmo posso dizer da Catherine Zeta-Jones, que para além da sua beleza natural, nada mais acrescentou. Ah... e temos a irritante miúda do Atonement que como não seria de estranhar... irrita novamente. Não tão acentuadamente como no outro filme, mas o factor "irritar" está lá de quando em vez.
Pontos positivos: um retrato da época bastante elegante (1927), com um guarda-roupa adequado e uma fotografia aceitavel.
Conclusão:
Death Defying Acts não é aborrecido, mas elegância só por si deixa pouca impressão. Ironicamente, num filme que supostamente seria sobre magia, não se encontra nenhuma em nenhures durante todo os seus 90 minutos.
Classificação: 4/10
Publicada por Alexius à(s) 03:11 1 comentários
Etiquetas: Cine-Analise 2008, Cinema, Cinema Independente
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Pensa ou morre
La Habitacion de Fermat (O Enigma de Fermat)
Realização: Luis Piedrahita, Rodrigo Sopeña
Género: Thriller
Intérpretes: Lluís Homar, Alejo Sauras, Elena Ballesteros
Estreia em Portugal: 15 de Maio de 2008
País de Origem: Espanha
Análise: Bem gostaria de estar aqui a dizer do cinema português aquilo que vou dizer do cinema espanhol: está em claro melhoramento.
Depois do refrescadoramente aterrador [Rec], a produção cinematografica espanhola apresenta-nos este thriller simples, mas bastante cativante.
Quatro matemáticos aparentemente desconhecidos entre si, são convidados por um misterioso anfitrião denominado Fermat, para comparecer a um encontro num certo local, propondo-lhes o desafio de decifrar um grande enigma. Para tal, a cada um é atribuido um pseudónimo de um conhecido matemático, não poderão levar telemóvel nem acompanhante.
Uma vez ali, e depois de Fermat os ter deixado a sós numa sala, apercebem-se que estão ali fechados... e subitamente começam a receber mensagens num PDA ali presente com puzzles lógicos que têm de ser resolvidos num curto espaço de tempo; findo esse tempo as paredes começam a fechar-se, cortesia de quatro prensas hidráulicas Poseidon.
A única maneira de impedir que morram esmagados é ir resolvendo os enigmas à medida que os vão recebendo... mas a grande questão põe-se: porque diabo alguem quer matar quatro matematicos ?
Então factos do passado dos protagonistas começam a emergir, questões começam a aparecer sobre o relacionamento entre eles, tensões vão-se criando, aparecem as teorias da conspiração, as acusações mútuas, e claro, todos aos gritos uns com os outros... enquanto as paredes continuam a fechar-se...
Os problemas são essencialmente lógicos e não tanto matemáticos; a sua colocação no desenrolar do filme está num nível que nem desmotiva quem não os consegue resolver, nem quem os resolve em 2 segundos. E o filme no seu todo acaba por ser um puzzle em si; o final pode não ser muito chocante, mas é satisfatorio dada a premissa inicial.
Nota-se bastante inspiração em filmes como O Cubo e Saw - Enigma Mortal (o primeiro), coisa que não conto como ponto negativo pois são dois filmes surpreendentes cada um à sua maneira. No entanto O Enigma de Fermat não é tão bizarro como O Cubo, nem tão intenso como Saw, mas é de certeza no mínimo tão cativante como os dois.
O filme acaba por ser mais uma prova da crescente aproximação do cinema europeu à fórmula americana de fazer cinema, e ha quem não encare isso com bons olhos. No entanto se torna os filmes mais interessantes, e leva pessoas ao cinema, isso será mau?
E já agora, vamos ser sinceros: Matemática pode ser assustadora só por si. Agora imaginem terem que resolver problemas matemáticos para salvar a vida...
Brr... medo!
Classificação: 7/10
Publicada por Alexius à(s) 03:01 0 comentários
Etiquetas: Cine-Analise 2008, Cinema, Cinema Independente
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Corre. Foge. Sobrevive. Mas não deixes de gravar!
[REC]
Realização: Jaume Balagueró / Paco Plaza
Género: Terror
Intérpretes: Manuela Velasco, Ferran Terraza, Pep Sais
Estreia em Portugal: 8 de Abril
País de Origem: Espanha
Análise:
No entanto não o faz.
Depois dos recentes e bastante aceitáveis 28 dias depois/28 semanas depois e Renascer dos Mortos, pensei sinceramente que este tipo de argumento já não teria muito por onde progredir (ver exemplo de Eu Sou a Lenda), e estaria condenado a viver de clones de historias semelhantes e de infindáveis remakes. Enganei-me. Rec mostra-se agradavelmente fresco, surpreendentemente aterrador e suficientemente cativante para fazer agarrar o espectador completamente à historia. Como é que isso foi conseguido? O filme foi rodado de uma maneira de documentario-que-se-torna-em-situação-de-pânico-em-directo à lá Projecto de Blair Witch, onde tudo nos é mostrado através da perspectiva de Pablo o operador de câmara. A história é simples; dois repórteres de TV decidem gravar uma reportagem acompanhando uma patrulha de bombeiros em serviço durante a noite. O filme começa bem devagar com entrevistas a vários bombeiros e com a nossa (bela) jornalista a desejar que algo de emocionante aconteça... e quando finalmente acontece, o filme torna-se numa espiral cada vez mais intensa de peripécias surpreendentes, gente em pânico e caos absoluto, que nos faz dar uns valentes pulos da cadeira.
E o que este filme tem de especial em relação os outros? Empatia. É uma palavra-chave necessária em qualquer boa historia. Pode ser conseguida das mais variadas maneiras, mas em Rec foi conseguida de uma forma diferente; Pablo o operador de câmara, durante grande parte do filme mantém-se surpreendentemente mudo apesar de todas as peripécias que vão acontecendo à sua volta. No entanto isso acaba por se tornar bastante eficaz, porque nos faz mergulhar ainda mais no pânico abundante, uma vez que acabamos por ver o filme na 1ª pessoa. Paco torna-se ele mesmo na nossa pessoa dentro do filme, o que cria uma imersão muito forte, e daí a empatia.
Excelentes interpretações por parte de todos os actores envolvidos, tão boas que olhando para eles facilmente os confundiríamos com os nossos próprios vizinhos, o que dá mais um toque de realismo. Até mesmo Pablo, que nunca chegamos a ver, mas que na parte final deixa de ser mudo e contribui bastante para a espiral cada vez mais intensa de pânico.
Espaço ainda para uma crítica social à xenofobia para com imigrantes (no caso asiáticos, provavelmente chineses) que bem subtilmente deixou a sua marca. E por fim... uma referência a Portugal... ah Portugal! Esse país à beira-mar plantado, considerado por alguns o cancro da Península Ibérica, e por outros a origem de meninas malvadas possuídas pelo mafarrico!
Em resumo, Rec é uma lufada de ar fresco num género cada vez mais a cair na monótona repetição de mais do mesmo e onde a originalidade escasseia a cada novo filme feito. Excelente filme de terror com muita acção, muito pânico, muita gente histérica, que nos faz apanhar valentes sustos.
Tiro o meu chapéu aos espanhóis.
Classificação: 8/10
Uma nota final, e para quem ainda tinha dúvidas no completo deserto de ideias que é hollywood nos dias de hoje, está já em produção o remake americano deste filme, de titulo Quarentine, a ser lançado ainda este ano. Que original não é?
Publicada por Alexius à(s) 04:03 2 comentários
Etiquetas: Cine-Analise 2008, Cinema, Cinema Independente
segunda-feira, 10 de março de 2008
The Mist - O filme mais irritante da última década
The Mist (Nevoeiro Místerioso)
Realização: Frank Darabont
Género: Terror
Intérpretes: Thomas Jane, Marcia Harden, Andre Braugher
Estreia em Portugal: 20 de Março
Análise: Eu nem sequer iria falar deste filme... desculpem, desta coisa, mas depois de ver uma pontuação de 7.7 (!!) no internet movie database (imdb), não pude deixar de dar um sinal de aviso para se manterem LONGE deste filme. É simplesmente o filme mais irritante que vi nos últimos anos, e com isto estou incluír toda a porcaria que tem saído de Hollywood com um mínimo de aceitabilidade.
Toda a gente, e sublinho TODA a gente neste filme é completamente estúpida ou imbecíl, egoísta, estereotipada ou simplesmente burra até cegar. Terá sido propositado ? Não me parece.
O filme é baseado num livro de Stephen King, é de terror e tem algumas caras conhecias. Só por isso já valia a pena dar uma espreitadela, certo...? Errado. Eu gosto de filmes de terror. Eu gosto dos livros do Stephen King. Eu gosto de um ambiente sobrenatural. Então porque é que o filme é tão mau ? Porque quem escreveu o guião e fez a adaptação da historia para o filme merecia ser torturado sem piedade.
A historia começa com uma tempestade num pacato vilarejo no interior dos estados unidos, onde correm rumores que numa base militar ali por perto ocorrem experiências ultra secretas do estilo Half-Life. Somos introduzidos ao nosso super-heroi de queixo saliente todo musculado e bonzão com a sua esposa dedicada e o seu filhinho adoravel de 7 ou 8 anos. Depois da tempestade ter derrubado uma árvore pela sua casa a dentro, o nosso super-heroi mais o vizinho e o puto irritante decidem ir ao supermercado mais próximo comprar mantimentos e material para reparar os estragos.
Já no supermercado começa a acção. Um misterioso nevoeiro aproxima-se pela montanha abaixo, veem-se militares atarefados a correr de um lado para o outro, jipes, tanques, etc. Um prelúdio de que algo não estará bem... e quando a sirene toca a tensão aumenta. Até que aparece um homem a sangrar e a correr feito louco em direcção do supermercado dizendo coisas como "ha algo no nevoeiro!!" e ficamos com a sensação que isto até poderá ser um bom filme... nada mais errado.
A partir daqui, é um autêntico bem vindos à Parvónia. E não é pelos preços baixos, é mesmo pela estupidez inerente.
O pessoal fica assustado e tranca-se lá dentro. Às tantas o nosso super-heroi vai ao armazem do supermercado (fazer o quê, é um mistério...) e repara que "algo" está a tentar entrar pela porta traseira (estilo porta de garagem vertical). "Tentar" é favor porque aquilo começa a querer empurrar a porta e a querer entrar à força. O nosso super-heroi assusta-se, volta para trás para o supermercado, e para meu espanto em vez de dizer o que se tinha passado, diz um idiotico "voçes ouviram aquele som...?" ...mas que..?!? enfim, adiante! Lá volta ele mais o chefe de secção do supermercado e mais três idiotas que assumo que também sejam la funcionários ou algo do genero. Como é costume nestas historias, ao lá voltar os misteriosos empurrões tinham desaparecido... QUE SURPRESA! Depois dos 3 idiotas se terem rido na cara do super-heroi e decidir ir lá fora desentupir um cano, sobem a porta vertical e... UAU! tentáculos!! com dentes e espigões! A esta altura já eu estava a pensar: "lá vamos nós outra vez para um clone do (tambem horrivel) Dreamcatcher...".
E como não seria de esperar outra coisa, um dos tentaculos agarra um dos idiotas e começa a arrasta-lo para fora do armazém, e enquanto isso... ninguém se mexe! Fica tudo especado a olhar para os tentáculos feito imbecíl à espera de sei lá o quê. Depois de alguns minutos o nosso super-heroi (quem mais?) lá vai tentar agarra-lo e puxa-lo para dentro enquanto o chefe do supermercado lá arranja um machado dos bombeiros... e os outros... parados que nem idiotas.
Claro que ninguém se ia lembrar de, sei lá... DESCER A PORTA ?!? arre! Resultado final, um idiota tragado pelo bicho, um super-heroi ensanguentado e um pedaço de tentaculo que ficou la dentro com eles, depois de a muito custo, alguem se ter finalmente lembrado de baixar a porta.
Volta esta trupe ao supermercado, mas segundo eles, para não levantar o pânico decidem só contar a alguns porque seria "algo completamente incrivel" para toda a gente acreditar... uau! que teoria profunda.
Lá foi o super-heroi acompanhado da sua trupe todos stressados e ensanguentados, contar ao vizinho que anda um polvo gigante na rua, os outros acabam por ouvir tambem e a palavra espalha-se. E para variar... ninguem acredita. Por fim (alguns) lá se deixam convencer ao ver o pedaço de tentáculo no chão do armazem. E aqui, aparece a personagem mais irritante de todo filme: a fanática religiosa.
Desde que abriu aquela bocarra para falar já lhe estava com um ódio de morte. E à medida que o filme se foi desenrolando já só desesperava que ela finalmente morresse! Mas infelizmente não é só ela que irrita, são praticamente TODOS os personagens nesta estúpida historia! Nem sequer o raio do puto! "Eu quero isto, eu quero aquilo, eu quero que os militares chamem os tanques, eu quero que o meu pai venha cá, eu quero que ele me faça a promessa que EU não seja mordido por bicharocos, eu quero ir para casa, eu, eu, eu, eu... irra 'tá calado miudo imbecil!! Mas que puto mais egocentrico! Chiça! E alterna isto com choros deslavados e mamadelas no dedo, como se isso fosse despertar o nosso sentido paternal... bah! Adiante.
Cena atrás de cena irritante, depois de mais um grupo de idiotas sair porta fora para serem dizimados pelos bicharocos, e de estes por mais poderosos e sedentos de sangue que sejam, estupidamente nunca partirem um vidro... (deve-lhes fazer mal às unhas), lá aparece uma pistola saida do nada. Ha um certo momento de pânico quando alguns bicharocos conseguem entrar no supermercado, mas os habitantes da Parvónia parecem ainda ter menos inteligencia que esta forma de vida selvagem e quase conseguem pegar fogo aquilo tudo.
Resultado, mais mortos e um ferido grave com queimaduras profundas, o que os leva a irem à farmácia do outro lado da rua buscar medicamentos. Lá vai o super-heroi, mais uns quantos idiotas buscar os medicamentos à farmacia onde encontram um ninho de aranhas gigantes... e aí a estupefacção que já se tinha visto antes: estão num ninho de aranhas gigantes e está tudo parado a contemplar... uau! tantas!! olha ali uma! olha ali outra! mata! mata que deita gosma! isto enquanto são dizimados com teia ácida que faz mais algumas baixas, e isto tudo... COM A PORTA DA RUA ESCANCARADA ALGUNS METROS ATRAS DELES!! Mas eles saiem dali ? NÃO! É mais giro ver aranhas a morde-los. ADIANTE!
Lá voltam ao supermercado, com mais baixas, e o nosso super-heroi de queixo saliente decide tirar uma soneca ao pé da loira de olhos azuis e decote "ilustrativo" convenientemente solteira e disponivel. Quanto a isto nada a apontar... a não ser que mais uma vez fica latente a ENORME preocupação que o super-heroi demonstrou durante todo o filme pela sua esposa dedicada e GRÁVIDA que deixou em casa à mercê dos bicharocos. Tanta que por vezes até pensei que tivesse sido o cão ou o gato ou mesmo o piriquito que tivesse la ficado...
Quando finalmente acordou, da noite para o dia a turba de refugiados do supermercado transformou-se em fanáticos religiosos capazes de esfaquear a sangue frio um dos militares que lá tinha ficado e deita-lo porta fora para a bicharada. Em 2 dias a fanática religiosa passou de maluquinha da aldeia, a enviada divina enquanto que a turba passa de pessoas assustadas a selvagens medievais que alimentam a besta com sacrificios humanos. UAU! a esta altura já so me apetecia enfiar os polegares pelo crâneo daquela tipa até os olhos lhe sairem pela nuca... e quando finalmente leva um balazio nas trombas do chefe da loja, gritei um aleluia!
Sequência final, a turba idiota fica no supermercado enquanto o super-heroi, a loira do decote o chefe da loja, o puto egocentrico e dois velhotes fogem porta fora para um dos jipes. Ah mas o chefe da loja matou a sangue frio a enviada divina, e portanto uma pessoa crente, por isso não podia sobreviver muito tempo pois não? Ha que pensar nas sensibilidades religiosas do público... então truclas, mais um morto pela bicharada.
Finalmente lá entram no jipe, e fogem dali. Recordo que cada vez que punham um pé fora do supermercado eram atacados por tudo o que era bicharada. Agora com o exodo do nosso super-heroi, puto egocentrico, loira de decote e velhotes do banco de tras... nada acontece! Só se vê nevoeiro e nada mais! Nem bichos, nem tentáculos, nem moscas, nem aranhas, NADA! Musica melancolica ao vermos os inumeros cadaveres pelo caminho, e um breve (e unico) encontro com um bicho do tamanho do Cristo Rei enquanto ele andava lá na sua vidinha. Passamos ainda pela casa do super-heroi para vermos a sua esposa embrulhada num casulo de aranhas e uma ou outra lagrima de crocodilo, mas nada de espalhafatoso. Também ja ia bem servido com a loira...
E lá continuam às voltas com o jipe sem encontrar bichos nenhuns até... faltar a gasolina! Que raio de palermas são estes tipos que não têm dois dedos de testa e passarem por uma... sei lá... BOMBA DE GASOLINA ?? Nah! assim não dá emoção. Sim porque quando acaba a gasolina e ficam parados no meio de nenhures, têm apenas nevoeiro à volta, um pacato riacho e alguns guinchos animalescos como som de fundo. Mas lá mesmo muito ao fundo.
E o que é que estes idiotas decidem fazer ? Suicidar-se claro. Nem se punha outra hipotese! Estavam sobre tremenda pressão! Aquele nevoeiro era mesmo capaz de lhes molhar as roupas! Enfim.
Lá contam as balas que ainda têm e decidem enfiar um balazio na tola a cada um. Problema: eles são 5 e só têm 4 balas. Bah! resolve-se; uma bala para cada um, LOIRA DE DECOTE e FILHO DE 8 ANOS INCLUÍDO no pacote, e o super-heroi fica para a bicharada. Alguns momentos de desespero depois e assim que põe o pé fora do jipe... um tanque e um autentico exercito de militares atras dele. "Ena matei um monte de inocentes, incluindo o meu proprio filho, para nada."
FIM
Moral da historia: A humanidade é capaz de se tornar num monstro maior que todos os outros. Sim, com toda a imbecilidade vista, é somente natural.
Pontos positivos: A animação não estava muito má, as interpretações apesar de idioticas estavam aceitaveis, e a actriz que fez o papel de fanática religiosa conseguiu irritar-me profundamente. Só por isso dou-lhe algum crédito.
Espero que com isto, vos poupe a hora e meia de tortura.
Classificação: 2/10
Publicada por Alexius à(s) 03:45 16 comentários
Etiquetas: Cine-Analise 2008, Cinema
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Oscares 2008 - There Will Be Blood -
There Will Be Blood (Haverá Sangue)
Realização: Paul Thomas Anderson
Género: Drama
Intérpretes: Daniel Day-Lewis, Paul Dano, Kevin J. O'Connor, Ciarán Hinds
Análise: O filme apresenta-nos Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis), um mineiro da California... corrijo, quase uma toupeira da California, que cava e escava, mexe e remexe em pedras e calhaus durante sabe-se lá à quanto tempo. Depois de ter sorte e conseguir encontrar petróleo, é-nos mostrado como o seu negócio cresce e floresce aumentando os seus ganhos. As primeiras linhas de diálogo só aparecem sensívelmente por volta dos 15 minutos, mas nem por isso se dá por falta delas por o filme ser tão ilustrativo do que se está a passar.
Anos mais tarde, Plainview anda de povoação em povoação com o seu filho, empregando o seu discurso de ser um "homem-do-petróleo" que pode ajudar a povoação a florescer com comercio e emprego se encontrar petróleo no seu sub-solo.
Um dia é abordado por um jovem que a troco de 500 dolares lhe promete dizer onde encontrar "tanto petroleo que brota da terra" e onde pode comprar as terras a um preço baixo. Isto leva Plainview a uma pequena e religiosa povoação de Little Boston, onde encontra o líder evangelico local Eli Sunday (Paul Dano) que com a sua seita, para além de sugar horas de descanço aos seus trabalhadores, tambem não trás grandes simpatias para Plainview.
O resto do filme é conduzido pelo choque entre o agnóstico Plainview e o fanático Eli, a sua reacção aos obstáculos que a vida e a natureza lhe põe pela frente, incluindo uma explosão no poço que causa surdez ao seu filho, ou o irmão que ele desconhecia aparecer subitamente assim que ele se torna progressivamente mais rico.
Daniel Day-Lewis mostra neste filme, mais uma soberba interpretação de um homem poderoso, em tudo semelhante a Bill o Talhante de Gangues de Nova Iorque, e é o que torna o filme memorável. O papel deu-lhe a oportunidade de mostrar a panóplia infinita de emoções de que é capaz de espalhar pelo ecrâ, apesar de neste caso as mais constantes serem a ira e o orgulho.
No entanto, por vezes apenas com um mero olhar (exemplo flagrante disso, a cena na praia com o irmão), é capaz de demonstrar o que muitos actores não fariam com mil palavras. Não tenho a mínima duvida que será ele o vencedor do oscar de melhor actor principal.
Agora os pontos menos bons: O filme é conduzido pela rivalidade entre Plainview e Eli, que se vai tornando progressivamente mais violenta à medida que o filme se desenrola. E isto leva a um confronto final (com o já célebre discurso da palhinha :D) entre os dois que... acabará em sangue. Até aí nada contra, mas a maneira como os dois actores exageraram um pouco na sequência final, (Plainview a correr atrás de Eli com um pino de bowling...) deixou-me um pouco desiludido, pois podia ter sido uma cena memorável.
Além disso, sente-se que o filme é um pouco comprido demais. Quando ao chegar das 2h de filme, e somos transportados 20 anos para a frente no tempo, e encontramos um Plainview eremita, alcólico a viver sozinho na sua imensa mansão à lá Howard Hughes, chega-se a temer que o filme chegue às 3h, o que felizmente não acontece.
Outro apontamento é a musica, que em muitas, MUITAS, ocasiões parece completamente desajustada, despropositada e fora de tom com o que se está a passar em cena.
Em resumo, There Will Be Blood, é um bom filme em que Daniel Day-Lewis enche o ecrã, dando uma interpretação digna de um Al Pacino ou um Jack Nicholson. O filme peca por pequenos promenores que, se corrigidos, melhorariam imenso o seu resultado final.
Classificação: 8/10
E o oscar vai para...
Publicada por Alexius à(s) 23:27 8 comentários
Etiquetas: Cine-Analise 2008, Cinema
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Oscares 2008 - Juno -
Juno
Realização: Jason Reitman
Género: Drama / Comedia
Intérpretes: Ellen Page, Jennifer Garner, Jason Bateman, J.K. Simmons
Análise: Ellen Page representa Juno MacGuff, uma adolescente de 16 anos acabada de engravidar pelo seu melhor amigo Paulie (Michael Cera). Depois de uma ida a uma clinica de aborto onde tropeça em personagens fora do vulgar incluindo uma solitaria protestante anti-aborto e uma empregada de recepção que mais parecia ter saido de um concerto ao vivo dos Ministry, Juno decide ter a criança. Mas o que fazer com o bebé ? Ela acredita que é nova demais para a criar sozinha, e decide procurar um casal adoptivo...
O filme brilha essencialmente pela estupenda interpretação da talentosa Ellen Page, que aos 20 anos é uma das actrizes mais promissoras dos ultimos anos. A historia em si não é nada que não se tenha já visto noutros filmes, mas vale pelas pequenas coisas que vão acontecendo com Juno e com todos os que a rodeiam. Cenas desde Juno a informar os seus pais de que estava gravida e as decisoes que tomou, o conhecer dos futuros pais adoptivos, o confronto entre a sua madrasta e a "tecnica de ultrasons" no hospital ou ainda a sua teoria sobre o que são realmente os médicos, são cenas que nos ficaram retidas depois de o filme acabar.
Um final bonitinho, em que tudo acaba bem para toda a gente deixa um certo mau gosto no palato por parecer perfeito demais, mas acaba por acentar bem porque sinceramente não nos fazem detestar nenhuma das personagens envolvidas.
Em resumo, Juno não é o meu tipo de filme, não obstante, consigo perfeitamente apreciar o que tem de valor. É um filme que tem os seus bons momentos, muito devido às exemplares interpretações por praticamente todos os actores envolvidos, e onde Ellen Page brilha mais forte como Juno.
Classificação: 6/10
Amanhã: There Will Be Blood (Haverá Sangue)
Publicada por Alexius à(s) 03:18 0 comentários
Etiquetas: Cine-Analise 2008, Cinema
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Oscares 2008 - No Country For Old Men -
No Country For Old Men (Este País Não é Para Velhos)
Realização: Ethan Coen / Joel Coen
Género: Crime / Thriller
Intérpretes: Javier Bardem, Tommy Lee Jones, Josh Brolin
Análise: Llewelyn Moss (Josh Brolin) é um típico americano rancheiro do Texas, que um dia por acaso encontra no meio do deserto o que restou de um confronto sangrento num negócio falhado de transacção de droga mexicana. Seguindo o rasto de cadáveres e sangue dá com uma pasta com 2 milhões de dólares, completamente abandonados nos braços ensaguentados de um traficante morto. Mas quando decide ficar com ela, talvez não contasse que um assassino em série sem escrupulos, Anton Chigurh (Javier Bardem), e um gang de mexicanos o perseguisse até à exaustão. Isto enquanto o sherife local (Tommy Lee Jones) segue o rasto de sangue deixado para trás por Chigurh e tenta desvendar quem é o responsavel.
Tenho de confessar que não sou grande fã dos filmes dos irmãos Coen. Também não os vi todos, é verdade, mas dos que vi apenas gostei (e bastante) do "Grande Lebowski". Tendo visto já "Blood Simple" e "Fargo" também da sua autoria, e de certo modo com uma permissa semelhante a este "No Country For Old Men", as minhas espectativas não eram muito altas. No entanto surpreenderam-me. Vou começar pelo melhor: Javier Bardem e a sua interpretação de Anton Chigurh.
Já não via um psicopata com uma presença tão forte desde os tempos aureos de Hannibal Lecter. A interpretação de Bardem de um assassino impiedoso que no entanto mantém sempre uma expressão calma, é tão intensa que com apenas expressões faciais nos revela os pensamentos assassínos que lhe passam pela cabeça. E é sem sombra de dúvida a personagem que mais impacto causa na historia. Não nos é dado a conhecer muito do seu passado a não ser que foi contratado para recuperar a mala do dinheiro a todo o custo, com grande parte do filme (a melhor parte), perseguindo implacávelmente Moss, e deixando um rasto de morte à sua passagem. Recortando com a perseguição, é-nos mostrado cenas de Tommy Lee Jones como sherife local, "a apanhar os cacos", cada vez mais estupefacto com o caos sanguinario que encontra.
O argumento está bastante bem escrito, de maneira em que quase até final do filme nos deixa a tentar perceber o que se vai passar a seguir... mas, e aqui é que me desiludiu por completo, depois de uma historia tão rica, e de interpretações tão intensas, assim que uma das personagens principais morre (e de maneira ingloria porque nem acontece em cena), o filme perde muito do seu ritmo, e tem um final abrupto que nos deixa a coçar a cabeça com um ponto de interrogaçao por cima... Ok, explicam tudo o que é necessario para este troço da historia, mas não lhes ficaria mal se nos mostrassem um pouco mais do que aconteceu a seguir, ou ficava ?
Uma nota final para a ausência completa de música, que por incrível que pareça, deu um toque ainda mais sinístro ao ambiente.
Em resumo, um bom filme de perseguição, com uma soberba interpretação de Javier Bardem, que tem mais do que merecida a nomeação ao óscar de melhor actor, uma boa historia que nos deixa sempre a querer saber o que se vai passar a seguir, mas um final abrupto que prejudicou o filme.
Classificação: 7/10
Amanhã: Juno
Publicada por Alexius à(s) 23:59 0 comentários
Etiquetas: Cine-Analise 2008, Cinema
Oscares 2008 - Michael Clayton -
Michael Clayton
Realizador: Tony Gilroy
Género: Thriller
Intérpretes: George Clooney, Tom Wilkinson, Tilda Swinton, Sydney Pollack
Análise: Michael Clayton (George Clooney) é o tipo que trata dos problemas numa firma de advogados, que nos últimos 6 anos tem andado às voltas com um caso envolvendo 3 biliões de dólares, uma companhia de productos químicos, e um problema de saúde pública. Mas, (e há sempre um "mas") quando as partes já estariam quase a chegar a um acordo, o representante da firma no caso, Arthur Edens (Tom Wilkinson), descobre que uma tremenda marosca está a ser oculta pela chefe do conselho da companhia cliente e num acto que roça os limites da loucura, Arhur tem um esgotamento nervoso. No entanto encontra-se na posse de um memorando que pode levar a processar essa companhia por fraude e deitar tudo a perder.
Clayton pensa que o seu colega e amigo apenas largou a sua medicação, até que algo ocorre a Arthur que em tudo aponta para uma conspiração a nível superior.
Seja-se ou não fã de George Clooney, há-que admitir que neste filme esteve brilhante. Arrisco-me até a dizer que terá sido a sua melhor interpretação até hoje, e a nomeação para o óscar de melhor actor está inteiramente merecida. Isto porque é ele que carrega o filme às costas durante as partes mais lentas, (e o filme custa um pouco a arrancar) e fá-lo sempre com brilhantismo. A profissão da sua personagem faz lembrar o que Mr Wolf de Harvey Keitel fazia em Pulp Fiction, limpando e resolvendo as trapalhadas que gente importante (e rica) faz. Encontramo-lo no início do filme, num torneio ilegal de poker na Chinatown, antes de sair para resolver mais uma trapalhada que um cliente rico fez a altas horas da noite. O que posteriormente leva a um inesperado evento que, para nós espectadores, parece ter saido da twilight zone. Recuamos então 4 dias no tempo, de maneira a seguir-mos todos os acontecimentos que levaram àquele evento, e sobretudo o porquê.
Karen Crowder, (Tilda Swinton) é quem está encarregue pela companhia cliente para "limpar" a trapalhada e fazer "desaparecer" esse memorando que pode por tudo em risco. Neste caso, são os actos e as opções tomadas por ela, como também os efeitos que delas advêm, que fazem o enredo desenvolver-se.
Eventualmente voltamos ao momento em que o filme recuou 4 dias, e vemos a cena anterior de Clayton a sair da Chinatown por uma perspectiva diferente. Daí para a frente, passamos parte do filme a dizer "ah! afinal foi por isso que isto aconteceu!" o que nos conduz a um final excelente, com um confronto verbal entre Clayton e Karen digno de um filme muito bem construído.
Em resumo, um excelente primeiro filme para o realizador Tony Gilroy, com desempenhos brilhantes por parte de George Clooney e Tom Wilkinson, que fazem deste thriller inteligente, ser mais do que aparentemente seria, e um dos meus preferidos entre os nomeados ao melhor filme.
Classificação: 8/10
Amanhã: No Country For Old Men (Este País Não é Para Velhos)
Publicada por Alexius à(s) 02:19 0 comentários
Etiquetas: Cine-Analise 2008, Cinema
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Afinal que raio de cinefilo és tu, que nem dos filmes nomeados para os oscares falas?
A octagésima cerimónia da entrega dos oscares está aí à porta (dia 24), reconhecimento de mérito para uns, a maior macacada do ano em hollywood por outros, mas um ponto de interesse para todos. Vai ser apresentada este ano por Jon Stewart, com muita pena minha, que ainda tinha esperança que Jerry Seinfeld reconsiderá-se os inúmeros convites que teve. E como não podia deixar de ser, vai passar na tvi pela noite dentro com os já classicos comentarios irritantes dos pseudo-analistas-intelectuais-de-opinião-no-mínimo-duvidosa sobrepondo as suas brilhantes dissertações ao que realmente interessa, e dando vontade de gritar a plenos pulmões: "tá calado imbecil! deixa ouvir! arre!". Isto porque, recordo que a cerimonia sendo em directo, não é obviamente legendada.
Ora bem, então para acudir a esta enorme lacuna, da qual desde já me penitencio, resolvi analizar os nomeados ao melhor filme, um por dia antes da cerimonia.
Atonement (Expiação)
Realizador: Joe Wright
Género: Drama / Romance
Intérpretes: Keira Knightley, James McAvoy, Saoirse Ronan
Analise: Situado na Inglaterra dos anos 30, mesmo antes do inicio da segunda guerra mundial, somos apresentados à aristocrática família Tallis, onde testemunhamos o início do romance entre Cecilia (Keira Knightley) e o filho do mordomo Robbie (James McAvoy), com a ajuda de um estranho cruzamento entre um acidente envolvendo uma jarra partida e um concurso miss t-shirt molhada dos anos 30.
Contudo, nem tudo são rosas pois a irmã de Cecilia, Briony (a jovem Saoirse Ronan que recebeu a nomeaçao para melhor actriz secundaria), vê esta relação entre eles de uma outra maneira, tornada em descalabro quando por engano recebe uma carta de Robbie para entregar à sua irmã, com um conteúdo no mínimo restrito a maiores de 18.
Temendo pela segurança da sua irmã, a mente assustada por tamanha indecencia da jovem, acaba por maquinar uma terrivel mentira em que Robbie acaba acusado injustamente por um crime que não cometeu, em tudo devido ao falso testemunho de Briony.
O rumo das três vidas é alterado para sempre, Robbie passa anos na prisão alistando-se posteriormente para combater na linha da frente em França, enquanto que Cecilia acaba por se integrar no corpo médico de um hospital.
O resto do filme trata de como Briony tenta encontrar o perdão por parte deles pelo erro estupido de uma adolescente, enquanto somos bombardeados com melancólicas e trágicas cenas de guerra, que apesar de bem feitas e bem captadas para o ambiente envolvente, nada de novo trouxe a 2 horas de filme com andamento lento, historia pouco interessante e um final que... bem, quem estiver interessado não continue a ler.
A última cena, apesar de excelentemente representada por Vanessa Redgrave (lembram-se da Max, a traficante de armas em Missão Impossivel ?), não passa uma artimanha barata de nos dizer que, depois de passadas duas 2 horas em que tentam fazer-nos importar pelas peripécias que estes dois passaram por causa da mesquinhês de uma adolescente de 13 anos e uma circunstancia injusta, vêm com a conversa "bem, na verdade eles morreram sozinhos, mas eu depois de velha escrevi um livro que diz que estou muito arrependida e em profundo desgosto que as coisas tenham ocorrido desta maneira, por isso criei um final alternativo que tudo vive feliz e docemente encantado em sonhos bons e azuis." a isto eu respondo: "mnhé!"
Numa nota positiva, o filme tem uma fotografia bastante aceitavel (a sequencia da praia de Dunkirk está muito bem conseguida).
Confesso que não sou grande fã deste tipo de filmes, e por momentos fez-me recordar similaridades com o Paciente Inglês e Lost in Translation, filmes dos quais também não morri de amores.
Classificação: 5/10
Amanhã: Michael Clayton
Publicada por Alexius à(s) 03:41 0 comentários
Etiquetas: Cine-Analise 2008, Cinema
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
7Dias Cine-Analise: The Man From Earth (2007)
Caros vizitantes incautos do blogue mais palerma e sem pingo de bom gosto da blogosfera mundial, tenho o prazer de inaugurar a cine-analise do 7Dias. Irão ser analisados filmes que me passem pelos olhos com especial predilecção pelo cinema mais alternativo e não tão conhecido pelas massas. Fiquem com a primeira, espero que gostem porque vão gramar com elas nos proximos tempos :P
The Man From Earth (2007)
Na ultima noite antes de partir, John Oldman reunido com os seus colegas e amigos propõe o seguinte debate sobre uma ideia: imaginemos que um homem pré-historico teria sobrevivido durante 14,000 anos nunca enfrentando a morte. Como seria ele?
Os amigos de John, professores e investigadores academicos, aceitam o desafio e conjecturam as incontaveis questões que poderia criar. Que tipo de biologia teria que lhe permitisse viver tanto tempo ? Até onde chegariam as suas memórias de tantos anos passados ? Que tipo de conhecimento enorme teria tal pessoa? A quantas relações se teria ele negado para manter o seu passado em segredo ?
Ah, mas e se a questão que John propôs, não fosse mesmo uma questão ? E se a pessoa hipotetica sobre a qual teorizam fosse o próprio John? Ao assumir-se como imortal, John passa a ser considerado pelos seus colegas como louco. No entanto os factos que calmamente expõe, e as suas justificações bastante plausiveis e credíveis, começam a deixar cada vez menos espaço de manobra aos seus incrédulos colegas.
É esta a gloriosa premissa de "The Man From Earth". Envolto num simples e vulgar cenario, interpretado por um elenco não mais do que mediano, produzido com um orçamento limitadissimo, filmado em apenas uma semana... mas senhor de um argumento fabuloso, mesmo que a espaços nos leve um pouco ao incredível, mas nunca o suficiente para nos fazer desacreditar por completo.
Baseado na última obra de um dos mais aclamados escritores de ficção científica, Jerome Bixby, "The Man from Earth" é, mais do que um bom filme, uma grande lição sobre a história do nosso planeta... Há momentos de grande tensão, sobretudo quando John começa relutantemente a recontar como uma religião moderna foi na realidade baseada num mito misturado com uma conjectura e com uma necessidade politica. Nesta altura somos puxados para dentro da historia por completo, e já não lidamos com ficção ou fantasia, mas com uma historia legítima.
Com esta teoria, o argumento faz-nos repensar como as religiões são realmente formadas, e o filme deixa-nos o impacto suficiente para nos deixar no fundo da mente a interrogação sobre a reais possibilidades das coisas...
"The Man From Earth" não é tanto um daqueles filmes que constroem a historia para um grande "twist" final, mas daqueles que terminado o filme nos deixa na mente um "e se...?"
Foi uma obra que ganhou fama devido à permissão pública do seu produtor para que qualquer cinéfilo fizesse o seu download da Internet, de forma livre, e é um daqueles filmes desconhecidos que ocasionalmente aparecem na indústria e que se transformam rapidamente numa obra de culto, conquistando de forma arrebatadora milhares e milhares de admiradores por todo o mundo.
Classificação: (7 / 10)
Publicada por Alexius à(s) 04:46 2 comentários
Etiquetas: Cine-Analise 2008, Cinema, Cinema Independente
