terça-feira, 17 de junho de 2008

Houdini: O Último Grande Mágico - A Análise

Death Defying Acts (Houdini: O Último Grande Mágico)

Realização: Gillian Armstrong
Género: Drama / Romance
Intérpretes: Guy Pearce, Catherine Zeta-Jones, Saoirse Ronan
Estreia em Portugal: 26 de Junho de 2008
País de Origem: Reino Unido



"When i was very small, i had a gift. I saw things other folk didn't see. As i grew up, the gift vanished just like my mom said it would, and i saw the world as it really was... but then... the great Houdini came into our lives, and changed everything forever."

Death Defying Acts - primeiras falas

...e no entanto não é o que acontece com este filme. Como sei que os meus amigos na Irlanda me dariam cabo do canastro se não fizesse uma analise a este filme, cá vai disto;

O que me levou a ver este Death Defying Acts, é que seria uma historia com Harry Houdini, provavelmente o ilusionista e mestre de fugas mais conhecido de todos os tempos. Também porque gostei bastante do Prestige (O Terçeiro Passo) e do Illusionist (O Ilusionista), e talvez contasse com algo no género, senão melhor. Enganei-me. O que infelizmente encontrei não foi mais que uma historiazeca em que se trocariam facilmente os personagens principais pelo Florivaldo e a Constança da novela brasileira mais à mão.

Catherine Zeta-Jones encarna Mary McGarvie, uma personagem ficticia convenientemente atirada para a vida de Harry Houdini de maneira a fazer dali uma historia para contar. Esta Mary, juntamente com a sua filha Benji, têm um espectáculo psiquico em Edimburgo com bastante aceitação do público, que no entanto recorre a metodos menos próprios para conseguir as "adivinhações" com que consegue público no seu espectaculo.
E então entra o mágico. Corre palavra que Harry Houdini lançou um desafio a todos os adivinhos que encontre, que oferecerá 10.000 dolares a quem conseguir comunicar com a sua mãe falecida e lhe disser quais foram as suas ultimas palavras. O seu objectivo aparentemente seria o de desmascarar todos os charlatães que encontrasse, até que... encontrou Mary e tudo isso tornou-se irrelevante.
Entramos então num romance entre as duas personagens, com os motivos porque Houdini acha Mary atraente um pouco questionáveis e com uma pontuação bastante alta no meu esquisitómetro... mas adiante.

Contrariamente ao titulo do filme (em ingles), não ha realmente nada de desafiador da morte no filme, isto porque mantem-se numa zona neutra de interacção de personagens que não é nada de especial, e não se mete no mundo das ilusões, mostrando apenas um ou dois momentos durante algum espectáculo, que não chega nem para palitar o dente.
O que temos realmente é um olhar da vida pessoal de Houdini, com um Guy Pearce a fazer o que pode para mostrar algum carisma e demónios pessoais com que se debate, mas apesar do esforço, o filme não ajuda, e no final fica-se com a sensação que o homem fez um papel inexpressivo. O mesmo posso dizer da Catherine Zeta-Jones, que para além da sua beleza natural, nada mais acrescentou. Ah... e temos a irritante miúda do Atonement que como não seria de estranhar... irrita novamente. Não tão acentuadamente como no outro filme, mas o factor "irritar" está lá de quando em vez.

Pontos positivos: um retrato da época bastante elegante (1927), com um guarda-roupa adequado e uma fotografia aceitavel.

Conclusão:
Death Defying Acts não é aborrecido, mas elegância só por si deixa pouca impressão. Ironicamente, num filme que supostamente seria sobre magia, não se encontra nenhuma em nenhures durante todo os seus 90 minutos.

Classificação: 4/10

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Pensa ou morre

La Habitacion de Fermat (O Enigma de Fermat)

Realização: Luis Piedrahita, Rodrigo Sopeña
Género: Thriller
Intérpretes: Lluís Homar, Alejo Sauras, Elena Ballesteros
Estreia em Portugal: 15 de Maio de 2008
País de Origem: Espanha



Análise:
Bem gostaria de estar aqui a dizer do cinema português aquilo que vou dizer do cinema espanhol: está em claro melhoramento.
Depois do refrescadoramente aterrador [Rec], a produção cinematografica espanhola apresenta-nos este thriller simples, mas bastante cativante.

Quatro matemáticos aparentemente desconhecidos entre si, são convidados por um misterioso anfitrião denominado Fermat, para comparecer a um encontro num certo local, propondo-lhes o desafio de decifrar um grande enigma. Para tal, a cada um é atribuido um pseudónimo de um conhecido matemático, não poderão levar telemóvel nem acompanhante.
Uma vez ali, e depois de Fermat os ter deixado a sós numa sala, apercebem-se que estão ali fechados... e subitamente começam a receber mensagens num PDA ali presente com puzzles lógicos que têm de ser resolvidos num curto espaço de tempo; findo esse tempo as paredes começam a fechar-se, cortesia de quatro prensas hidráulicas Poseidon.
A única maneira de impedir que morram esmagados é ir resolvendo os enigmas à medida que os vão recebendo... mas a grande questão põe-se: porque diabo alguem quer matar quatro matematicos ?
Então factos do passado dos protagonistas começam a emergir, questões começam a aparecer sobre o relacionamento entre eles, tensões vão-se criando, aparecem as teorias da conspiração, as acusações mútuas, e claro, todos aos gritos uns com os outros... enquanto as paredes continuam a fechar-se...

Os problemas são essencialmente lógicos e não tanto matemáticos; a sua colocação no desenrolar do filme está num nível que nem desmotiva quem não os consegue resolver, nem quem os resolve em 2 segundos. E o filme no seu todo acaba por ser um puzzle em si; o final pode não ser muito chocante, mas é satisfatorio dada a premissa inicial.
Nota-se bastante inspiração em filmes como O Cubo e Saw - Enigma Mortal (o primeiro), coisa que não conto como ponto negativo pois são dois filmes surpreendentes cada um à sua maneira. No entanto O Enigma de Fermat não é tão bizarro como O Cubo, nem tão intenso como Saw, mas é de certeza no mínimo tão cativante como os dois.

O filme acaba por ser mais uma prova da crescente aproximação do cinema europeu à fórmula americana de fazer cinema, e ha quem não encare isso com bons olhos. No entanto se torna os filmes mais interessantes, e leva pessoas ao cinema, isso será mau?

E já agora, vamos ser sinceros: Matemática pode ser assustadora só por si. Agora imaginem terem que resolver problemas matemáticos para salvar a vida...
Brr... medo!

Classificação: 7/10

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Corre. Foge. Sobrevive. Mas não deixes de gravar!

[REC]

Realização: Jaume Balagueró / Paco Plaza
Género: Terror
Intérpretes: Manuela Velasco, Ferran Terraza, Pep Sais
Estreia em Portugal: 8 de Abril
País de Origem: Espanha



Análise: Sim, mais um filme de terror. Desta vez não é baseada numa história de Stephan King, não tem caras conhecidas, nem orçamento das grandes produções hollywoodescas. Só por aí já teria desculpas para falhar, desiludir, e juntar-se às inúmeras repetições do mesmo tipo de coisa que infelizmente aparenta viver neste género.
No entanto não o faz.
Depois dos recentes e bastante aceitáveis 28 dias depois/28 semanas depois e Renascer dos Mortos, pensei sinceramente que este tipo de argumento já não teria muito por onde progredir (ver exemplo de Eu Sou a Lenda), e estaria condenado a viver de clones de historias semelhantes e de infindáveis remakes. Enganei-me. Rec mostra-se agradavelmente fresco, surpreendentemente aterrador e suficientemente cativante para fazer agarrar o espectador completamente à historia. Como é que isso foi conseguido? O filme foi rodado de uma maneira de documentario-que-se-torna-em-situação-de-pânico-em-directo à lá Projecto de Blair Witch, onde tudo nos é mostrado através da perspectiva de Pablo o operador de câmara. A história é simples; dois repórteres de TV decidem gravar uma reportagem acompanhando uma patrulha de bombeiros em serviço durante a noite. O filme começa bem devagar com entrevistas a vários bombeiros e com a nossa (bela) jornalista a desejar que algo de emocionante aconteça... e quando finalmente acontece, o filme torna-se numa espiral cada vez mais intensa de peripécias surpreendentes, gente em pânico e caos absoluto, que nos faz dar uns valentes pulos da cadeira.

E o que este filme tem de especial em relação os outros? Empatia. É uma palavra-chave necessária em qualquer boa historia. Pode ser conseguida das mais variadas maneiras, mas em Rec foi conseguida de uma forma diferente; Pablo o operador de câmara, durante grande parte do filme mantém-se surpreendentemente mudo apesar de todas as peripécias que vão acontecendo à sua volta. No entanto isso acaba por se tornar bastante eficaz, porque nos faz mergulhar ainda mais no pânico abundante, uma vez que acabamos por ver o filme na 1ª pessoa. Paco torna-se ele mesmo na nossa pessoa dentro do filme, o que cria uma imersão muito forte, e daí a empatia.

Excelentes interpretações por parte de todos os actores envolvidos, tão boas que olhando para eles facilmente os confundiríamos com os nossos próprios vizinhos, o que dá mais um toque de realismo. Até mesmo Pablo, que nunca chegamos a ver, mas que na parte final deixa de ser mudo e contribui bastante para a espiral cada vez mais intensa de pânico.

Espaço ainda para uma crítica social à xenofobia para com imigrantes (no caso asiáticos, provavelmente chineses) que bem subtilmente deixou a sua marca. E por fim... uma referência a Portugal... ah Portugal! Esse país à beira-mar plantado, considerado por alguns o cancro da Península Ibérica, e por outros a origem de meninas malvadas possuídas pelo mafarrico!

Em resumo, Rec é uma lufada de ar fresco num género cada vez mais a cair na monótona repetição de mais do mesmo e onde a originalidade escasseia a cada novo filme feito. Excelente filme de terror com muita acção, muito pânico, muita gente histérica, que nos faz apanhar valentes sustos.
Tiro o meu chapéu aos espanhóis.

Classificação: 8/10

Uma nota final, e para quem ainda tinha dúvidas no completo deserto de ideias que é hollywood nos dias de hoje, está já em produção o remake americano deste filme, de titulo Quarentine, a ser lançado ainda este ano. Que original não é?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

7Dias Cine-Analise: The Man From Earth (2007)

Caros vizitantes incautos do blogue mais palerma e sem pingo de bom gosto da blogosfera mundial, tenho o prazer de inaugurar a cine-analise do 7Dias. Irão ser analisados filmes que me passem pelos olhos com especial predilecção pelo cinema mais alternativo e não tão conhecido pelas massas. Fiquem com a primeira, espero que gostem porque vão gramar com elas nos proximos tempos :P

The Man From Earth (2007)
Na ultima noite antes de partir, John Oldman reunido com os seus colegas e amigos propõe o seguinte debate sobre uma ideia: imaginemos que um homem pré-historico teria sobrevivido durante 14,000 anos nunca enfrentando a morte. Como seria ele?
Os amigos de John, professores e investigadores academicos, aceitam o desafio e conjecturam as incontaveis questões que poderia criar. Que tipo de biologia teria que lhe permitisse viver tanto tempo ? Até onde chegariam as suas memórias de tantos anos passados ? Que tipo de conhecimento enorme teria tal pessoa? A quantas relações se teria ele negado para manter o seu passado em segredo ?

Ah, mas e se a questão que John propôs, não fosse mesmo uma questão ? E se a pessoa hipotetica sobre a qual teorizam fosse o próprio John? Ao assumir-se como imortal, John passa a ser considerado pelos seus colegas como louco. No entanto os factos que calmamente expõe, e as suas justificações bastante plausiveis e credíveis, começam a deixar cada vez menos espaço de manobra aos seus incrédulos colegas.
É esta a gloriosa premissa de "The Man From Earth". Envolto num simples e vulgar cenario, interpretado por um elenco não mais do que mediano, produzido com um orçamento limitadissimo, filmado em apenas uma semana... mas senhor de um argumento fabuloso, mesmo que a espaços nos leve um pouco ao incredível, mas nunca o suficiente para nos fazer desacreditar por completo.

Baseado na última obra de um dos mais aclamados escritores de ficção científica, Jerome Bixby, "The Man from Earth" é, mais do que um bom filme, uma grande lição sobre a história do nosso planeta... Há momentos de grande tensão, sobretudo quando John começa relutantemente a recontar como uma religião moderna foi na realidade baseada num mito misturado com uma conjectura e com uma necessidade politica. Nesta altura somos puxados para dentro da historia por completo, e já não lidamos com ficção ou fantasia, mas com uma historia legítima.
Com esta teoria, o argumento faz-nos repensar como as religiões são realmente formadas, e o filme deixa-nos o impacto suficiente para nos deixar no fundo da mente a interrogação sobre a reais possibilidades das coisas...
"The Man From Earth" não é tanto um daqueles filmes que constroem a historia para um grande "twist" final, mas daqueles que terminado o filme nos deixa na mente um "e se...?"

Foi uma obra que ganhou fama devido à permissão pública do seu produtor para que qualquer cinéfilo fizesse o seu download da Internet, de forma livre, e é um daqueles filmes desconhecidos que ocasionalmente aparecem na indústria e que se transformam rapidamente numa obra de culto, conquistando de forma arrebatadora milhares e milhares de admiradores por todo o mundo.

Classificação: (7 / 10)

 

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Mais, tenho uma vizinha que sabe voodoo (ou era yoga ? ... não interessa, qualquer uma delas é terrivelmente mortifera), por isso tenham medo.

Depois não digam que não vos avisei.

Buuu